Álcool é a droga mais prejudicial segundo estudo científico de 2010
Um estudo pioneiro publicado na revista científica The Lancet em 2010 concluiu que o álcool é a substância mais danosa entre 20 drogas analisadas, superando heroína e crack no impacto geral. Liderado pelo professor David Nutt, da Imperial College London, a pesquisa utilizou análise de decisão multicritério para avaliar danos tanto ao usuário quanto à sociedade. O álcool obteve escore total de 72 pontos (em uma escala máxima de 100), impulsionado especialmente pelos danos a terceiros, como acidentes, violência e custos econômicos elevados.
De acordo com o ranking, a heroína (55 pontos) e o crack (54 pontos) ocuparam o segundo e terceiro lugares. Heroína, crack e metanfetamina foram consideradas as mais prejudiciais ao usuário individual, enquanto o álcool, seguido de heroína e crack, liderou os danos sociais. Substâncias como tabaco, cocaína e anfetaminas aparecem em posições intermediárias, ao passo que cannabis, GHB, benzodiazepínicos, ecstasy, LSD e cogumelos (psilocibina) registraram os menores escores de dano.
O estudo gerou polêmica ao questionar políticas de drogas baseadas apenas na ilegalidade, destacando que substâncias legais como álcool e tabaco podem causar mais mal à sociedade do que algumas drogas ilícitas. Nutt e sua equipe argumentaram que uma classificação científica mais racional poderia orientar melhor políticas públicas de saúde e prevenção. Embora o trabalho tenha mais de 15 anos, continua sendo uma das referências mais citadas no debate sobre danos relativos das drogas.
Especialistas ressaltam que o ranking não significa que drogas como heroína sejam “seguras”, mas sim que o uso disseminado do álcool amplifica seu impacto coletivo.

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