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Racha na direita: Flávio Bolsonaro vota a favor da lei anti-misoginia, mas Eduardo ataca projeto e expõe fissura na família

 


O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (24) o projeto de lei que criminaliza a misoginia, equiparando o ódio ou aversão às mulheres ao crime de racismo. A proposta, que altera a Lei do Racismo para prever pena de reclusão de 2 a 5 anos mais multa, foi aprovada por unanimidade (67 votos a favor e nenhum contra) e agora segue para a Câmara dos Deputados. A bancada inteira do PL no Senado, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), votou a favor da matéria, após pressão da opinião pública e da maioria no plenário.

Dias antes da votação, Flávio Bolsonaro havia sido um dos autores de um requerimento que buscava adiar a análise do texto em plenário, alegando viés ideológico e risco à liberdade de expressão. O recurso, assinado por outros senadores da oposição como Eduardo Girão, Magno Malta e Carlos Portinho, foi superado, mas expôs a resistência inicial da ala bolsonarista à proposta. A articulação contrária havia sido criticada por parlamentares de esquerda como tentativa de proteger discursos misóginos ligados à chamada “machosfera” e ao movimento Red Pill.

O racha na direita ficou ainda mais evidente com a reação de Eduardo Bolsonaro. Dos Estados Unidos, o deputado federal (PL-SP) publicou ataque direto ao projeto, classificando-o como “antinatural e agressivamente antimasculino”. Eduardo acenou explicitamente à base masculinista online, usando o que aliados chamam de “apito de cachorro” para mobilizar contra a lei. Enquanto Flávio, pré-candidato à Presidência, optou pelo voto favorável junto à bancada, o irmão endureceu o discurso, expondo divergências estratégicas dentro do clã Bolsonaro.

A aprovação unânime no Senado, com o apoio até de senadores que tentaram barrar a urgência, revela o dilema da direita: equilibrar a defesa da liberdade de expressão com a imagem de proteção às mulheres em ano eleitoral. O episódio deve reverberar na Câmara e no debate interno bolsonarista, onde o “racha” entre moderação institucional de Flávio e o confronto ideológico de Eduardo ganha novos contornos.


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