Pular para o conteúdo principal

Anthropic surpreende ao exigir documento de identidade para usar o Claude — e a reação não foi positiva

África do Sul impõe metas raciais por setor a empregadores com mais de 50 funcionários

 


A Lei de Emenda à Equidade no Emprego (Employment Equity Amendment Act — EEAA), em vigor desde janeiro de 2025, estabelece metas numéricas por raça e gênero em 18 setores econômicos sul-africanos, distribuídas em quatro níveis ocupacionais: técnico qualificado, gestão profissional e intermediária, gestão sênior e alta gestão. As metas, formalmente publicadas em abril de 2025, exigem que empregadores com 50 ou mais funcionários reestruturem sua força de trabalho para refletir os dados demográficos nacionais de gênero e raça do país.

Conforme os dados oficiais divulgados pelo Departamento de Emprego e Trabalho, os tetos para homens brancos variam significativamente entre setores e níveis hierárquicos. Na categoria de técnico qualificado, o limite é de 4,1% na maioria dos setores, chegando a 15,6% em atividades imobiliárias e 13,3% em mineração. Na alta gestão, os percentuais são mais elevados: 66% no setor de agricultura, silvicultura e pesca, 50,9% em manufatura e 8,3% em administração pública e defesa.

O Departamento de Emprego e Trabalho citou seu relatório de equidade no emprego de 2024, segundo o qual trabalhadores brancos, representando 7,3% da população, ocupavam 62,1% de todos os cargos de alta gestão. O governo descreve as metas como ferramentas para garantir a representação equitativa de grupos designados — definidos pela lei como negros, mulheres e pessoas com deficiência — em todos os níveis ocupacionais.

O não cumprimento das metas sujeita os empregadores a multas que variam de R$ 1,5 milhão ou 2% do faturamento para infratores primários, até R$ 2,7 milhões ou 10% do faturamento para reincidentes, prevalecendo o valor mais alto. O prazo para que os empregadores comecem a apresentar seus planos foi estabelecido para setembro de 2025, com vigência até agosto de 2030.

A Associação Nacional de Empregadores da África do Sul (NEASA) e a organização empresarial africânder Sakeliga anunciaram que combinarão forças para contestar as novas políticas de contratação como inconstitucionais, ilegais e prejudiciais. O partido Democratic Alliance (DA) também ingressou com ação judicial argumentando que a seção 15A viola o artigo 9 da Constituição, que garante igualdade perante a lei e proíbe discriminação injusta.

O Departamento de Emprego e Trabalho rejeitou as afirmações de que a lei estabelece cotas raciais. A porta-voz do departamento, Pertunia Lessing, declarou ao Mail & Guardian que a lei "não tem cotas". A ministra do Emprego e Trabalho, Nomakhosazana Meth, afirmou que o desafio judicial representa uma tentativa de reverter o progresso alcançado desde 1994 e manter o status quo injusto.

Fontes:

businesstech.co.za/news/business/822946/showdown-over-new-race-laws-in-south-africa/

businesstech.co.za/news/government/826320/111000-women-and-70000-white-men-can-lose-their-jobs-in-south-africa/

moneyweb.co.za/news/south-africa/urgent-court-action-aims-to-halt-employment-equity-quotas/

sakeliga.org.za/insight/repealed-legislation-from-1950-now-used-to-classify-employees-by-race

mg.co.za/news/2025-06-20-labour-department-denies-racial-quotas-in-employment-equity-amendment-act/

da.org.za/2025/09/race-quotas-in-private-business-starting-today-will-destroy-growth-and-jobs-but-da-court-challenge-continues

Comentários

Mais populares da semana

R$ 260 bilhões lavados: o país que bloqueia o investidor honesto e deixa o crime passar

 Enquanto brasileiros no exterior enfrentam burocracia kafkiana para investir na bolsa de sua própria terra natal, organização criminosa movimentou valor equivalente a 10% do PIB nacional. A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15/4), revelou um número que deveria provocar constrangimento institucional: o grupo liderado pelo funkeiro MC Ryan SP movimentou mais de R$ 260 bilhões por meio de uma estrutura que a própria investigação descreve como uma "instituição financeira clandestina". Para efeito de comparação, esse montante supera o PIB de países inteiros e equivale a cerca de 10% de toda a riqueza gerada pelo Brasil em um ano. O paradoxo é brutal. O mesmo sistema financeiro brasileiro que exige de um engenheiro paulistano residente em Lisboa uma avalanche de documentos, declarações à Receita Federal, retenções na fonte e taxas extras apenas para comprar ações da Petrobras — sua própria empresa nacional — foi atravessado de ponta a ponta ...

A Noruega trocou livros por tablets — e se arrependeu

  A Noruega enfrenta uma crise educacional que ela mesma reconhece ter contribuído para criar. Em 2016, o município de Oslo decidiu distribuir iPads a crianças a partir dos 5 anos ao entrarem na escola — sem controles parentais e com pouca estrutura pedagógica para o uso dos dispositivos. Livros foram gradualmente substituídos nas salas de aula, e o engajamento dos alunos com a leitura passou a cair de forma consistente. Os dados do PISA, exame internacional da OCDE aplicado a estudantes de 15 anos, revelam o impacto. A nota norueguesa em leitura caiu de 513 pontos em 2015 — seu pico histórico — para 477 pontos em 2022, ficando praticamente na média da OCDE (476 pontos). A queda foi severa, mas está longe de ser a pior do ranking: o país ficou em torno da 22ª posição entre os 81 países participantes do PISA 2022, bem distante do último lugar. Pesquisadores da Universidade de Oslo alertam ainda que o engajamento com a leitura de livros foi substituído por leitura de telas — e os dad...