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"Pleno emprego" mascara subemprego estrutural no Brasil

 O Brasil atingiu uma das menores taxas de desemprego de sua história, com apenas 7% dos trabalhadores desocupados, um índice que levou alguns economistas a declarar o país em situação de "pleno emprego". Entretanto, por trás desse número positivo se esconde uma realidade bem mais complexa: o "pleno emprego" mascara uma realidade de subemprego e precariedade, agravada pela inflação e pela polarização salarial. 

Os dados do IBGE revelam que a informalidade segue como marca estrutural do mercado de trabalho brasileiro. No trimestre encerrado em março de 2025, 38% dos trabalhadores brasileiros ocupados tinham um trabalho informal, sem garantias como férias e 13º salário. Apesar de ser a menor taxa já registrada fora do período pandêmico, o índice ainda é alto na comparação internacional — nos EUA e na Alemanha, por exemplo, ele gira em torno de 10%. Além disso, cerca de 32,5 milhões de trabalhadores brasileiros atuam como autônomos informais ou são empregados sem carteira assinada no setor privado, representando 31,7% de todos os ocupados no país.

O problema vai além da informalidade. Marcelo Manzano, professor do Instituto de Economia da Unicamp, alerta que há muitos trabalhadores subocupados que são contabilizados estatisticamente como empregados — pessoas que trabalham menos horas do que gostariam, provavelmente porque a renda obtida fica abaixo de suas necessidades. De acordo com o IBGE, o Brasil tinha 15,9% dos trabalhadores subocupados e outros 2,8% desalentados, considerados "sintomas de um mercado de trabalho extremamente doente".

Apesar de o cenário ainda ser preocupante, há sinais de melhora. A estimativa para 2025 indica que a população subutilizada recuou de 18,7 milhões para cerca de 16,6 milhões de pessoas, e a taxa composta de subutilização chegou a 14,5%, a menor da série histórica. Ainda assim, especialistas alertam que a sustentabilidade dessa recuperação depende de políticas estruturantes, como simplificação tributária e fortalecimento da indústria e dos serviços de alto valor agregado.

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