Houthis entram na guerra
Os Houthis do Iêmen oficializaram sua entrada no conflito regional ao lançar, na noite de sexta-feira (28), uma barragem de mísseis balísticos contra Israel. Foi o primeiro ataque do grupo desde o início da Operação Epic Fury dos Estados Unidos. O porta-voz militar houthi, brigadeiro-general Yahya Saree, confirmou a ação em transmissão na TV Al-Masirah e avisou que os ataques continuarão “até que a agressão contra todas as frentes da resistência cesse”. Israel interceptou pelo menos um projétil; não há relatos de danos graves até o momento.
Paralelamente, o Irã realizou um ataque significativo contra a base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, disparando seis mísseis balísticos e 29 drones. Pelo menos 15 militares americanos foram feridos, cinco deles em estado grave. O ataque danificou aeronaves de reabastecimento KC-135 (uma delas pegou fogo), um avião de alerta AWACS E-3 Sentry e outros tanques aéreos. Fontes americanas e árabes confirmaram que o número inicial de feridos subiu de 10-12 para 15, segundo relatos da Associated Press e do Wall Street Journal.
O incidente marca uma escalada preocupante na guerra multifrontal que já envolve Irã, Israel, Hezbollah no Líbano e agora os Houthis alinhados a Teerã. Os Estados Unidos mantêm tropas e equipamentos na base saudita como apoio logístico à operação contra o Irã. O Pentágono já registrou gastos bilionários com reposição de danos nas três primeiras semanas de conflito. A Casa Branca havia enviado um plano de paz de 15 pontos ao Irã via Paquistão, mas Teerã rejeitou a proposta até o momento.
O porta-voz houthi justificou a entrada no conflito como resposta à “agressão contínua contra infraestrutura no Irã, Líbano, Iraque e territórios palestinos”. A ação reabre a frente iemenita e ameaça novamente o tráfego marítimo no Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, rota vital para o comércio global de energia.
Analistas veem o movimento dos Houthis como um divisor de águas que amplia o teatro de operações e complica qualquer tentativa de desescalada rápida. Até agora, não há posicionamento oficial de Riad ou Washington sobre as próximas medidas. O conflito, que completou um mês, segue em expansão com riscos diretos para a estabilidade regional e o abastecimento energético mundial.
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