South Pars atacada: explosão de preços do gás natural altera mercado global

 O campo de gás natural South Pars, o maior do mundo e responsável por aproximadamente 40% da produção iraniana de gás e parte significativa das exportações de GNL do Catar, foi atacado na madrugada de segunda-feira. Fontes de segurança confirmam que a infraestrutura de extração e processamento sofreu danos graves, interrompendo imediatamente a produção de bilhões de metros cúbicos de gás. O incidente, ainda sem autoria reivindicada, ocorreu em meio a tensões geopolíticas no Golfo Pérsico e já provoca os primeiros sinais de pânico nos mercados internacionais de energia.

A paralisação temporária de South Pars representa uma perda estimada de até 15% da oferta global de gás natural liquefeito (GNL) nas próximas semanas, segundo analistas da Agência Internacional de Energia. O Catar, maior exportador mundial de GNL, opera a porção norte do campo (North Dome) e já anunciou redução de 20% em carregamentos programados para Europa e Ásia. Com estoques europeus em níveis baixos após o inverno rigoroso e a Ásia ainda dependente de importações para suprir o crescimento industrial, a oferta global fica apertada, elevando imediatamente os preços spot do gás.

Nas bolsas europeias, o preço do gás natural subiu mais de 28% em poucas horas de negociação, atingindo o maior patamar desde a crise energética de 2022. Na Ásia, os contratos futuros de GNL para entrega em maio dispararam 35%, refletindo o temor de desabastecimento em países como Japão, Coreia do Sul e China. Analistas preveem que o efeito cascata deve se prolongar por pelo menos dois meses até que a produção parcial seja restabelecida, pressionando ainda mais as contas de energia de consumidores finais e indústrias.

Economistas alertam que o choque nos preços do gás deve alimentar nova rodada de inflação global, especialmente em setores como fertilizantes, petroquímica e geração elétrica. Países importadores da Europa já estudam medidas emergenciais, como reativação de usinas a carvão e busca por cargas alternativas de GNL dos Estados Unidos e Austrália. Enquanto isso, o Brasil, que importa cerca de 30% de seu GNL da região do Golfo, deve sentir reajustes nas termelétricas, impactando a tarifa de energia elétrica ainda no segundo trimestre de 2026.





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