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Irã nega ataque à Kuwait e acusa EUA e Israel de operações de bandeira falsa

Um ataque a uma usina de dessalinização e energia elétrica no Kuwait, ocorrido no domingo (29), matou um trabalhador indiano e causou danos materiais significativos, segundo o Ministério da Eletricidade kuwaitiano. As autoridades do Kuwait descreveram o incidente como parte da "agressão iraniana" contra o Estado, afirmando que equipes técnicas e de emergência foram imediatamente enviadas ao local para conter os danos e garantir a continuidade das operações essenciais. O episódio ocorre em um contexto de guerra aberta entre Irã, EUA e Israel que já dura mais de um mês, com ataques sistemáticos a infraestruturas críticas em toda a região.

Telavive e Washington negaram envolvimento no ataque ao Kuwait, enquanto o Irã, por sua vez, rejeitou categoricamente qualquer responsabilidade, culpando Israel pela operação. O comando operacional das Forças Armadas iranianas, o Khatam al-Anbiya, afirmou em declaração transmitida pela televisão estatal que "a brutal agressão do regime israelense contra a usina de dessalinização do Kuwait foi realizada sob o pretexto de acusar a República Islâmica do Irã".

A alegação iraniana se apoia em uma tese mais ampla, apresentada já em meados de março: a de que EUA e Israel estariam utilizando um drone clonado do Shahed-136 iraniano para realizar ataques que seriam depois atribuídos a Teerã. O porta-voz do quartel-general Khatam al-Anbiya acusou EUA e Israel de orquestrar um "plano diabólico", alegando que copiaram o design do Shahed-136 e o rebatizaram como drone "Lucas" para falsamente responsabilizar o Irã por ataques na região. O que confere alguma base factual a esse argumento é que em dezembro de 2025, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) anunciou oficialmente o desenvolvimento do drone LUCAS — um clone do Shahed-136 criado a partir de engenharia reversa — e implantou um esquadrão no Oriente Médio, com primeiro uso confirmado em fevereiro de 2026. A existência do LUCAS é real.

É um quadro contraditório. De um lado, fontes como The National e a agência estatal kuwaitiana KUNA confirmaram o ataque como iraniano, com o CEO da Kuwait Petroleum Corporation afirmando que o Irã está "efetivamente mantendo a economia mundial como refém" ao atacar infraestruturas críticas. De outro, há pelo menos um precedente que dá algum crédito à tese iraniana: o Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou, em 3 de março, que um drone do tipo Shahed que atingiu a base da RAF Akrotiri, no Chipre, não era de origem iraniana — episódio que permanece sem autoria definitivamente estabelecida.

O contexto geopolítico mais amplo exige cautela analítica. Cerca de 90% da água potável do Kuwait vem de usinas de dessalinização, o que torna ataques a essas instalações particularmente graves e potencialmente capazes de desestabilizar o país. Segundo o Haaretz, a guerra com o Irã entrou em seu 31º dia com Teerã continuando a atacar infraestrutura de energia e defesa em países vizinhos do Golfo. Diante de um conflito em que todas as partes têm interesse em moldar a narrativa internacional a seu favor, as alegações de falsas bandeiras — sejam iranianas, israelenses ou americanas — devem ser tratadas com escrutínio.

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