Pular para o conteúdo principal

Anthropic surpreende ao exigir documento de identidade para usar o Claude — e a reação não foi positiva

Meio milhão de reais por não vacinar: o caso que divide o Brasil

 


A Justiça de Curitiba condenou um casal paranaense ao pagamento de uma multa superior a R$ 500 mil por não vacinar seus filhos contra a Covid-19 — decisão que desconsiderou atestados médicos apresentados pela defesa contraindicando o imunizante. Os dois filhos do casal, hoje com 10 e 12 anos, possuem histórico de asma brônquica severa, e um deles chegou a ser internado em UTI por complicações respiratórias. O descumprimento de uma ordem judicial de 2023 resultou em multa diária acumulada ao longo de dois anos — além do bloqueio de contas bancárias e da visita de oficiais de justiça à residência, que assustaram as próprias crianças.

O aspecto jurídico mais polêmico é que, para desconsiderar o atestado de contraindicação, a juíza utilizou uma declaração médica emitida em 2020 — quando ainda não havia vacina contra Covid-19 disponível no Brasil. Ou seja, usou-se um documento anterior à própria existência do imunizante para invalidar um atestado posterior, emitido por especialista reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina. A família recorrerá da decisão, mas o precedente já está posto — e levanta uma questão desconfortável: onde está o limite entre proteção da saúde coletiva e autoritarismo judicial?

A reflexão se aprofunda quando se olha para o mundo. A própria Organização Mundial da Saúde declarou, em 2022, não apoiar mais a obrigatoriedade da vacina Covid-19, defendendo campanhas informacionais e acessibilidade. Países como Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido jamais tornaram a vacina obrigatória para crianças — sem punições milionárias. Até a Costa Rica, que chegou a implementar a obrigatoriedade, recuou e arquivou denúncias contra pais. O Brasil, enquanto isso, bloqueia contas de uma família com atestado médico na mão. O debate não é contra a vacinação — é sobre proporcionalidade, bom senso e os limites do Estado sobre a vida privada.

Comentários

Mais populares da semana

Moraes investiga Flávio Bolsonaro: o que diz a Constituição sobre imunidade parlamentar?

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, abriu inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por declarações que ligam o presidente Lula a crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraude eleitoral. A medida provocou forte reação no Congresso e entre juristas, que apontam violação direta à imunidade parlamentar prevista na Constituição Federal de 1988. O Artigo 53 da Constituição é claro e sem ambiguidades: “Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. A palavra “quaisquer” abrange todas as manifestações, sem exceções ou condicionantes, exatamente para proteger o livre exercício do mandato parlamentar. Essa imunidade não é privilégio pessoal, mas garantia institucional do regime democrático. Ela permite que senadores e deputados debatem temas nacionais sem medo de retaliação judicial, inclusive fora do plenário, desde que no exercício da função. Diante da literalidade do texto constitucional, a abertur...

Xbox Series S vs Nintendo Switch 1/OLED: Qual é o verdadeiro rei do custo-benefício no Brasil hoje?

  O Xbox Series S está saindo por R$ 2.516 a R$ 3.131 (novo no Mercado Livre e Amazon), enquanto o Switch OLED em bundle com Super Mario Bros. Wonder + 3 meses de Nintendo Switch Online cai fácil para R$ 2.049 na Vivo ou R$ 2.490 com Mario Kart no Amazon. Já o Switch 1 (o modelo original de 2017) aparece em promoções ainda mais baixas, na casa dos R$ 2.000 com jogo incluso. No bolso brasileiro, os dois consoles brigam cabeça a cabeça no preço de entrada – mas o Switch (1 ou OLED) costuma vencer por entregar bundle pronto pra jogar na hora. No hardware o Series S massacra: 1440p/120fps, SSD rápido, Game Pass com centenas de AAA (Forza, Starfield, Call of Duty) e futuro-proof pra 2026. O Switch 1 roda em 1080p dock/720p handheld e o OLED melhora a tela com cores vibrantes e pretos profundos – mas gráficos de 2017. A diferença? O Switch é portátil de verdade: você joga no sofá, no ônibus ou na cama. Series S é só TV. Se você quer Mario, Pokémon Scarlet/Violet, Zelda Tears of the Kingd...

IAs colocadas em simulações de crise nuclear escalaram para conflito atômico em 95% dos jogos, aponta estudo do King's College London

  Um estudo publicado em fevereiro de 2026 pelo professor Kenneth Payne, do King's College London, submeteu três dos modelos de inteligência artificial mais avançados do mundo — GPT-5.2, Claude Sonnet 4 e Gemini 3 Flash — a uma série de 21 simulações de crise nuclear. Ao longo de 329 turnos, os modelos geraram aproximadamente 780 mil palavras de raciocínio estruturado — mais do que a soma de Guerra e Paz e A Ilíada. O projeto, publicado como pré-print no arXiv e ainda sem revisão por pares, é chamado de "Projeto Kahn", em referência a Herman Kahn, o estrategista da Guerra Fria que formulou a teoria da escada de escalada nuclear. Todos os 21 jogos apresentaram sinalização nuclear por pelo menos um lado, e 95% envolveram uso de armas nucleares táticas. É importante distinguir: a guerra nuclear estratégica total foi rara, ocorrendo apenas três vezes, nos jogos com pressão de prazo. Um dado que unifica todos os modelos: em nenhum dos 21 jogos qualquer IA escolheu rendição ou ...