Operador do Domo de Ferro é Preso por Espionar para o Irã
Um escândalo de espionagem abalou o establishment de segurança israelense. Raz Cohen, um reservista de 26 anos de Jerusalém que servia na unidade do sistema antimíssil Domo de Ferro, foi preso em 1º de março e formalmente indiciado por passar informações confidenciais a agentes iranianos. A prisão ocorreu apenas um dia após o início das operações militares conjuntas entre EUA e Israel contra o Irã, expondo uma brecha gravíssima no aparato defensivo israelense.
Segundo as autoridades, as informações repassadas incluíam detalhes sobre o funcionamento do Domo de Ferro, a localização de bases da Força Aérea israelense e a posição das baterias do sistema antimíssil. O vazamento teria ocorrido em dezembro de 2025, meses antes da eclosão do conflito atual, e Cohen sabia exatamente com quem estava se comunicando. Apesar da gravidade do caso, a recompensa recebida por ele foi irrisória: apenas US$ 1.000 em criptomoedas.
O caso ganha contornos ainda mais sérios diante do contexto da guerra. Desde que o Irã foi atacado pelas forças americanas e israelenses, o país vem respondendo com ondas contínuas de mísseis balísticos e drones, colocando o Domo de Ferro sob enorme pressão. A revelação da espionagem sugere que o Irã pode ter se beneficiado de informações privilegiadas para identificar vulnerabilidades no sistema de defesa, o que explicaria, ao menos em parte, os sucessivos avanços de grupos como o Hezbollah em superar a proteção aérea israelense.
O caso também acende um alerta político interno. O governo Netanyahu já enfrentava acusações de ter subestimado a ameaça iraniana e dado garantias falsas à população, parte da qual vive em abrigos subterrâneos enquanto os ataques se sucedem. As autoridades israelenses aproveitaram o indiciamento para emitir um aviso público sobre os riscos do contato com agentes de países inimigos, com atenção especial ao uso de redes sociais como canal de recrutamento — a mesma estratégia que, segundo fontes de inteligência, o próprio Israel utiliza para aliciar colaboradores dentro do Irã.

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