Pular para o conteúdo principal

Anthropic surpreende ao exigir documento de identidade para usar o Claude — e a reação não foi positiva

Opinião: terras raras e o dever de explorar

 O Brasil guarda em seu subsolo uma das maiores reservas de terras raras do planeta — minerais essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, chips e armamentos modernos. Enquanto China, Austrália e Estados Unidos disputam esse mercado bilionário com estratégias nacionais agressivas, o Brasil ainda debate se deve explorar o que já possui. A defesa do senador Flávio Bolsonaro pela exploração desse ativo é, antes de qualquer política partidária, uma questão de bom senso econômico.

O paralelo com o petróleo é inevitável e preciso. Durante décadas, setores da sociedade brasileira resistiram à exploração do pré-sal com argumentos ambientais e ideológicos. Quando a Petrobras finalmente avançou, os royalties e dividendos passaram a financiar saúde, educação e infraestrutura em todo o país. Um ativo parado no subsolo não aquece a economia, não gera emprego, não paga escola nem hospital. Recurso natural que não se extrai é riqueza que não existe para quem precisa dela.

A exploração responsável de terras raras, com regulação ambiental séria e exigência de beneficiamento no território nacional, poderia inserir o Brasil de forma soberana na cadeia global de tecnologia limpa e defesa. Países que dominam esse suprimento têm poder de barganha estratégico. Abrir mão dessa posição por inércia ou demagogia é, no mínimo, um erro histórico de proporções continentais.

Embora a cautela regulatória faça sentido, transformar a exploração em tabu é trocar o possível pelo ideal e privar gerações futuras de uma fonte de desenvolvimento real. O debate sobre terras raras não pode ser refém de disputas eleitorais. O Brasil precisa, com urgência, de uma política mineral de Estado — não de governo — que una exploração eficiente, proteção ambiental e geração de valor interno. Enquanto o país hesita, o mundo avança. E o relógio não para.

Comentários

Mais populares da semana

Analistas projetam petróleo entre US$ 134 e US$ 250 com conflito no Golfo Pérsico

Com o Brent já em US$ 111 por barril e o Estreito de Hormuz operando abaixo da capacidade, bancos e consultorias de energia revisam seus piores cenários para cima. Brent hoje US$ 111 Fortune · 6 abr 2026 Previsão média condicional US$ 134–135 Rystad Energy Cenário prolongado — bancos US$ 200+ Macquarie Group Cenário extremo US$ 200–250 S&P Global Energy O governo Trump está modelando internamente o impacto econômico de um petróleo a US$ 200 por barril, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. O exercício não representa uma previsão oficial, mas sinaliza que a administração considera o cenário plausível o suficiente para preparar respostas de política econômica. No mercado privado, as projeções chegam mais longe. Dave Ernsberger, presidente da S&P Global Energy, estimou uma faixa de US$ 200 a US$ 250 por barril caso a disrupção no Estreito de Hormuz se prolongue. Estrategistas do Macquarie Group, liderados por Vikas Dwivedi, esperam que o preço supere US$ 200 se o conflito se este...

Oleoduto vital da Arábia Saudita é atacado por drone

  Uma estação de bombeamento ao longo do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita — o Petroline — foi atingida por um drone nesta quarta-feira, por volta das 13h (horário local), de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto que falaram ao Financial Times. A extensão dos danos ainda está sendo avaliada. O ataque ocorre em um momento crítico: o Petroline tornou-se a espinha dorsal das exportações sauditas desde que o Estreito de Ormuz foi fechado ao tráfego não-iraniano em março, após os ataques americanos e israelenses ao Irã. A Arábia Saudita havia ampliado a capacidade do duto a 7 milhões de barris por dia — um recorde em seus 45 anos de existência. O Petroline percorre 1.200 quilômetros desde os campos petrolíferos de Abqaiq, na costa oriental do país, até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Construído nos anos 1980 durante a Guerra Irã-Iraque, o duto foi projetado exatamente para este tipo de contingência. Nos últimos meses, tornou-se a principal artéria de exportação do ...

IAs colocadas em simulações de crise nuclear escalaram para conflito atômico em 95% dos jogos, aponta estudo do King's College London

  Um estudo publicado em fevereiro de 2026 pelo professor Kenneth Payne, do King's College London, submeteu três dos modelos de inteligência artificial mais avançados do mundo — GPT-5.2, Claude Sonnet 4 e Gemini 3 Flash — a uma série de 21 simulações de crise nuclear. Ao longo de 329 turnos, os modelos geraram aproximadamente 780 mil palavras de raciocínio estruturado — mais do que a soma de Guerra e Paz e A Ilíada. O projeto, publicado como pré-print no arXiv e ainda sem revisão por pares, é chamado de "Projeto Kahn", em referência a Herman Kahn, o estrategista da Guerra Fria que formulou a teoria da escada de escalada nuclear. Todos os 21 jogos apresentaram sinalização nuclear por pelo menos um lado, e 95% envolveram uso de armas nucleares táticas. É importante distinguir: a guerra nuclear estratégica total foi rara, ocorrendo apenas três vezes, nos jogos com pressão de prazo. Um dado que unifica todos os modelos: em nenhum dos 21 jogos qualquer IA escolheu rendição ou ...