Opinião: terras raras e o dever de explorar
O Brasil guarda em seu subsolo uma das maiores reservas de terras raras do planeta — minerais essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, chips e armamentos modernos. Enquanto China, Austrália e Estados Unidos disputam esse mercado bilionário com estratégias nacionais agressivas, o Brasil ainda debate se deve explorar o que já possui. A defesa do senador Flávio Bolsonaro pela exploração desse ativo é, antes de qualquer política partidária, uma questão de bom senso econômico.
O paralelo com o petróleo é inevitável e preciso. Durante décadas, setores da sociedade brasileira resistiram à exploração do pré-sal com argumentos ambientais e ideológicos. Quando a Petrobras finalmente avançou, os royalties e dividendos passaram a financiar saúde, educação e infraestrutura em todo o país. Um ativo parado no subsolo não aquece a economia, não gera emprego, não paga escola nem hospital. Recurso natural que não se extrai é riqueza que não existe para quem precisa dela.
A exploração responsável de terras raras, com regulação ambiental séria e exigência de beneficiamento no território nacional, poderia inserir o Brasil de forma soberana na cadeia global de tecnologia limpa e defesa. Países que dominam esse suprimento têm poder de barganha estratégico. Abrir mão dessa posição por inércia ou demagogia é, no mínimo, um erro histórico de proporções continentais.
Embora a cautela regulatória faça sentido, transformar a exploração em tabu é trocar o possível pelo ideal e privar gerações futuras de uma fonte de desenvolvimento real. O debate sobre terras raras não pode ser refém de disputas eleitorais. O Brasil precisa, com urgência, de uma política mineral de Estado — não de governo — que una exploração eficiente, proteção ambiental e geração de valor interno. Enquanto o país hesita, o mundo avança. E o relógio não para.

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