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Pânico nos postos: compra em massa de combustível provoca caos na Índia

 


Longas filas, brigas e recipientes improvisados cheios de gasolina. Esse foi o cenário registado nos últimos dias em diversas cidades indianas, após a disseminação de rumores nas redes sociais sobre uma suposta escassez de combustível no país. Multidões formaram-se em postos de combustível em vários estados indianos, com motoristas a aglomerar-se nos pátios e a disputar o acesso ao abastecimento. Num vídeo divulgado no X, vários homens foram filmados a trocar socos numa aparente altercação pelo direito a reabastecer. 

O gatilho para o pânico foi duplo. Os preços da gasolina e do gasóleo subiram na Índia após a retalhista privada Nayara Energy ter aumentado os preços em vigor a partir de 26 de março de 2026 — o primeiro grande aumento desde o conflito dos EUA com o Irão e o bloqueio do Estreito de Ormuz, que pressionou o custo internacional do petróleo bruto. O cenário geopolítico amplificou o medo: a Índia importa mais de 88% do seu petróleo bruto, tornando-a vulnerável a perturbações nas rotas de abastecimento, embora as autoridades tenham afirmado que o fornecimento de crude foi menos afetado do que outros combustíveis como o gás liquefeito de petróleo (LPG).

As imagens que circularam nas redes sociais revelaram cenas insólitas: em partes do Gujarat, pessoas chegaram aos postos com panelas de pressão, latas de leite, baldes e até cisternas de água para armazenar gasolina e gasóleo. O impacto nas vendas foi imediato e significativo. Segundo o presidente da HPCL, Vikas Kaushal, as vendas de combustível aumentaram mais de 15% a nível nacional nos últimos dois dias, com determinadas localizações a registar picos superiores a 50% face às vendas diárias médias.

Face ao caos, o governo e as empresas petrolíferas estatais reagiram de forma coordenada. O Ministério do Petróleo e do Gás Natural afirmou que a situação de abastecimento de petróleo e LPG está "totalmente segura e controlada", indicando que as reservas atuais cobrem cerca de 60 dias de consumo — incluindo petróleo bruto, produtos refinados e reservas estratégicas — e que o fornecimento para os próximos dois meses já está garantido. A Índia diversificou as suas importações por cerca de 40 países diferentes, incluindo África Ocidental, América Latina e os EUA, o que tem permitido assegurar o abastecimento mesmo com as tensões no Médio Oriente. As autoridades sublinharam que foi precisamente o pânico — e não qualquer escassez real — a principal causa das filas e perturbações locais observadas nos últimos dias.

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