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Zelensky confirma envio de 200 especialistas ucranianos em drones para o Oriente Médio: ajuda contra ataques iranianos sai “barata”



O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez uma revelação surpreendente nesta terça-feira durante discurso no Parlamento britânico: Kiev enviou mais de 200 especialistas em defesa antiaérea e operadores de drones para o Oriente Médio. O objetivo é auxiliar aliados americanos e do Golfo a interceptar os drones iranianos Shahed que vêm aterrorizando a região.

Segundo Zelensky, os ucranianos já estão em ação na Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos e a caminho do Kuwait. Outros 44 especialistas estão prontos para serem enviados. No total, 11 países — incluindo Estados Unidos, nações europeias e monarquias do Golfo — pediram orientação ou ajuda prática de Kiev para derrubar os drones de fabricação iraniana.

“Agora mesmo há 201 ucranianos no Oriente Médio e na região do Golfo”, declarou Zelensky aos deputados britânicos. Ele destacou que a Ucrânia desenvolveu, ao longo de quatro anos de guerra contra a Rússia, uma tecnologia de interceptores de baixo custo que “revolucionou a guerra moderna”.

O contraste de preço é chocante: enquanto um míssil Patriot americano pode custar mais de US$ 13 milhões, e até um interceptor padrão dos EUA sai por cerca de US$ 4 milhões, a solução ucraniana é extremamente econômica. Zelensky lembrou que um drone Shahed iraniano custa apenas US$ 50 mil — e a Ucrânia consegue neutralizá-lo por uma fração desse valor.

O New York Times já havia noticiado, dias antes, que telefones de empresas de defesa ucranianas não param de tocar. Pela primeira vez na guerra, a Ucrânia deixou de ser apenas receptora de ajuda e passou a exportar sua expertise em drones: já enviou drones interceptadores e equipes completas para três aliados americanos no Golfo Pérsico.

Zelensky, que publicamente apoiou a decisão do presidente Donald Trump de atacar o Irã, enfatizou que “qualquer cooperação não pode comprometer nossa própria defesa”. Ainda assim, o movimento é visto como uma tentativa de Kiev de se manter relevante enquanto o conflito no Oriente Médio domina as manchetes mundiais — e enquanto o apoio ocidental à Ucrânia pode ser afetado pela nova frente de guerra.

Especialistas apontam que a Rússia vem fornecendo drones Shahed ao Irã (ou vice-versa, dependendo da narrativa), tecnologia que agora é usada contra bases americanas e vizinhos do Golfo. A Ucrânia, que enfrenta milhares desses drones mensalmente, transformou-se em referência mundial no combate a eles.

Com estoques de mísseis antiaéreos ocidentais diminuindo rapidamente no Oriente Médio, a solução “ucraniana barata” ganha cada vez mais atrativos. Zelensky deixou claro: a experiência de Kiev está à disposição — desde que não enfraqueça a defesa de seu próprio território.

A guerra mudou. E, aparentemente, a Ucrânia também: de país que pede ajuda, para país que oferece soluções. O tabuleiro geopolítico nunca esteve tão interessante.

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