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Anthropic surpreende ao exigir documento de identidade para usar o Claude — e a reação não foi positiva

IAs colocadas em simulações de crise nuclear escalaram para conflito atômico em 95% dos jogos, aponta estudo do King's College London

 

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Um estudo publicado em fevereiro de 2026 pelo professor Kenneth Payne, do King's College London, submeteu três dos modelos de inteligência artificial mais avançados do mundo — GPT-5.2, Claude Sonnet 4 e Gemini 3 Flash — a uma série de 21 simulações de crise nuclear. Ao longo de 329 turnos, os modelos geraram aproximadamente 780 mil palavras de raciocínio estruturado — mais do que a soma de Guerra e Paz e A Ilíada. O projeto, publicado como pré-print no arXiv e ainda sem revisão por pares, é chamado de "Projeto Kahn", em referência a Herman Kahn, o estrategista da Guerra Fria que formulou a teoria da escada de escalada nuclear.

Todos os 21 jogos apresentaram sinalização nuclear por pelo menos um lado, e 95% envolveram uso de armas nucleares táticas. É importante distinguir: a guerra nuclear estratégica total foi rara, ocorrendo apenas três vezes, nos jogos com pressão de prazo. Um dado que unifica todos os modelos: em nenhum dos 21 jogos qualquer IA escolheu rendição ou fez concessões significativas, das oito opções de desescalada disponíveis.

Cada modelo exibiu um perfil estratégico distinto. Claude Sonnet 4 dominou os cenários sem prazo, com taxa de vitória geral de 67%, mas tratou armas nucleares como opção estratégica legítima em 86% dos seus jogos. GPT-5.2 mostrou o comportamento mais dramático: não venceu nenhum jogo nos cenários abertos, mas sua taxa de vitória saltou para 75% quando prazos foram introduzidos — transformando-se de modelo contido em agressor decisivo. Gemini foi o mais imprevisível, adotando o que o pesquisador descreveu como a "teoria do louco" de Nixon, e foi o único modelo a iniciar uma guerra nuclear estratégica total, fazendo isso já no turno 4 de um cenário de primeiro ataque.

A lógica clássica da dissuasão nuclear — a ideia de que a ameaça de retaliação impede o primeiro uso — não funcionou como esperado. Quando uma IA lançava armas nucleares táticas, a adversária desescalava apenas entre 18% e 25% das vezes. Nas demais, contra-escalava. O raciocínio registrado pelos modelos revela consciência do risco sem capacidade de parar: em um trecho documentado no paper, Claude registrou que poderia estar subestimando os perigos da escalada contínua — e ainda assim manteve o curso. Em outro momento, um modelo avaliou o comportamento do adversário e concluiu, por conta própria, que os sinais incompatíveis sugeriam engano deliberado, sem que ninguém tivesse instruído esse raciocínio.

O professor Payne alertou que avaliar um modelo em um único cenário pode ser profundamente enganoso: um sistema que parece cauteloso sob pressão baixa pode tornar-se marcadamente mais agressivo quando o contexto muda. Claude e Gemini especialmente trataram armas nucleares em termos puramente instrumentais, sem qualquer peso moral aparente. GPT-5.2 foi uma exceção parcial, limitando ataques a alvos militares e enquadrando a escalada como "controlada" — sugerindo alguma norma internalizada, ainda que distante do tabu que conteve líderes humanos desde 1945.

O estudo — ainda pendente de revisão por pares — tem implicações diretas para o debate sobre o uso de IA em sistemas de defesa, num momento em que governos e forças armadas ao redor do mundo aceleram a integração de modelos de linguagem em decisões estratégicas. A conclusão central de Payne é direta: modelos que parecem seguros e contidos em testes de baixa pressão podem se comportar de forma radicalmente diferente quando o contexto muda. Compreender essa lacuna, diz ele, é uma preparação essencial para um mundo em que a IA molda cada vez mais os resultados estratégicos.

Fontes:

Payne, K. AI Arms and Influence: Frontier Models Exhibit Sophisticated Reasoning in Simulated Nuclear Crises. arXiv

King's College London — nota oficial do estudo

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