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China reduz Treasuries americanos ao menor nível desde 2008 e bate recorde em ouro

 


A China encerrou 2025 com as menores reservas de títulos do Tesouro dos Estados Unidos desde 2008. Segundo dados do Departamento do Tesouro americano, o país detinha US$ 683,5 bilhões em papéis americanos em dezembro de 2025 — queda expressiva frente ao pico histórico de cerca de US$ 1,317 trilhão registrado em novembro de 2013. Desde abril de 2022, as reservas chinesas de Treasuries permaneceram abaixo de US$ 1 trilhão e seguem em tendência de queda, com reduções de US$ 173,2 bilhões em 2022, US$ 50,8 bilhões em 2023 e US$ 57,3 bilhões em 2024.

Em paralelo, o Banco do Povo da China (PBoC) acelerou a compra de ouro. O banco central registrou aquisições em todos os meses de 2025, totalizando 27 toneladas adicionadas ao longo do ano e elevando as reservas oficiais a 2.306 toneladas em dezembro — equivalentes a 8,5% do total das reservas cambiais do país. O ciclo atual de compras teve início em novembro de 2024, acumulando 14 meses consecutivos de aquisições até o fim de 2025, segundo o World Gold Council.

A mudança de portfólio reflete uma estratégia deliberada de diversificação. Economistas atribuem a redução dos Treasuries à necessidade de equilibrar a alocação das reservas cambiais, reduzindo a concentração em ativos denominados em dólar e mitigando riscos de exposição excessiva a uma única moeda. A participação de ativos em dólar nas reservas chinesas caiu de 59%, em 2016, para cerca de 25% atualmente, segundo dados do Banco do Povo da China e do Tesouro americano.

No mercado de Treasuries, a saída chinesa tem implicações concretas. A percepção de risco sobre a dívida americana aumentou entre investidores estrangeiros, que passaram a exigir um prêmio maior para carregá-la — movimento impulsionado por preocupações fiscais de longo prazo e maior volatilidade de mercado. O Japão segue como o maior credor estrangeiro dos EUA, com cerca de US$ 1,13 trilhão em Treasuries, enquanto o Reino Unido assumiu a segunda posição, ultrapassando a China ao longo de 2025.

A demanda chinesa por ouro impulsionou o mercado global do metal. Os ETFs de ouro chineses registraram seu melhor ano da história em 2025, com captação recorde e patrimônio sob gestão crescendo 243% no período. O volume de futuros de ouro na Bolsa de Futuros de Xangai (SHFE) também atingiu máximas históricas. O preço do ouro rompeu a barreira de US$ 4.000 por onça troy pela primeira vez na história, em outubro de 2025.

O movimento chinês insere-se em uma tendência mais ampla de bancos centrais globais reduzindo a dependência do dólar — fenômeno conhecido como "de-dolarização". Analistas, no entanto, alertam para os limites desse processo: uma venda massiva e abrupta de Treasuries prejudicaria a própria China, cujas exportações dependem da estabilidade econômica americana, criando uma interdependência financeira que funciona como freio a movimentos mais radicais. O dólar segue como principal moeda de reserva global, e os Treasuries continuam sendo o ativo de referência mais líquido do mundo.

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