Desembargador é afastado em investigação sobre venda de sentenças

 


Os contracheques de certo desembargador do TJMA são de deixar qualquer um boquiaberto. De janeiro do ano passado a janeiro deste ano, o magistrado embolsou nada menos que R$ 2,06 milhões – uma média mensal confortável de R$ 158 mil. Um salário que, para a maioria dos brasileiros, representa o sonho de uma vida inteira acumulado em doze meses. Ele é, sem dúvida, um sujeito de sorte. Ou, pelo menos, era até ontem.

Mesmo com essa remuneração estratosférica, o desembargador foi afastado do cargo sob forte suspeita de vender decisões judiciais. Sim, você leu certo: o homem que recebe o equivalente a um pequeno patrimônio todo mês decidiu, supostamente, complementar a renda com o velho e bom “bico” de quem transforma a toga em balcão de negócios. Enquanto o contribuinte rala para pagar impostos que sustentam esse tipo de “independência funcional”, o caso demonstra que nem todo contracheque alto é vacina contra a corrupção.

As associações de classe, como a AMB, insistem que “a adequada estrutura remuneratória” é essencial para preservar a integridade dos magistrados. Traduzindo do juridiquês: é preciso pagar bem para que eles não se corrompam. O problema é que o número mágico ainda é um mistério. Com R$ 158 mil mensais, aparentemente, ainda não chegamos lá. O Brasil seria o máximo se fizesse o mínimo – como, por exemplo, admitir que honestidade não tem preço.


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