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Estudo finlandês revela que necessidades psiquiátricas não diminuem e podem aumentar após tratamentos de reatribuição de gênero


 Um estudo publicado na revista Acta Paediatrica analisou dados de 2.083 indivíduos com menos de 23 anos que procuraram serviços especializados de identidade de gênero na Finlândia entre 1996 e 2019. O trabalho utilizou registros nacionais do sistema de saúde centralizado do país para avaliar a morbidade psiquiátrica antes e após o encaminhamento aos serviços.

Antes do encaminhamento, 45,7% dos indivíduos com disforia de gênero apresentavam problemas de saúde mental, em comparação com 15,0% da população de controle. Após pelo menos dois anos do encaminhamento, o percentual subiu para 61,7% no grupo com disforia de gênero, contra 14,6% nos controles. A proporção de adolescentes com problemas de saúde mental aumentou em 35% após o contato com os serviços especializados.

Entre os jovens que passaram por reatribuição médica de gênero (hormonal ou cirúrgica), a morbidade psiquiátrica aumentou de forma marcante durante o acompanhamento. Em alguns casos, o procedimento esteve associado à deterioração da saúde mental, com maior necessidade de tratamento psiquiátrico subsequente.

Os adolescentes que não receberam tratamentos hormonais ou cirúrgicos apresentaram um aumento muito menor nos desafios de saúde mental, resultando em melhores desfechos em comparação com o grupo que realizou a reatribuição médica.

Os autores concluíram que a morbidade psiquiátrica grave é comum entre os adolescentes encaminhados e que as necessidades de tratamento psiquiátrico não diminuem após a reatribuição médica de gênero.


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