França bate recorde de concessões de asilo em 2025
Em 2025, a França atingiu um marco histórico sem precedentes: foram concedidos 78.782 pedidos de asilo, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. A taxa de reconhecimento chegou a 52,1% — o patamar mais alto já registrado —, segundo dados divulgados pelo Tribunal Nacional de Asilo do país. O número supera até mesmo os índices registrados durante o auge da crise migratória de 2015, sinalizando uma tendência de expansão contínua e sistemática do sistema de proteção internacional na França.
O sistema de asilo francês é considerado um dos mais acessíveis da Europa. Qualquer pessoa já presente em território francês pode solicitar proteção diretamente, sem necessidade de ter entrado legalmente no país. Caso o pedido seja negado pelo Escritório Francês de Proteção de Refugiados e Apátridas (OFPRA), o solicitante ainda pode recorrer ao Tribunal Nacional de Asilo. Essa dupla instância, combinada com jurisprudência progressivamente mais ampla, contribui para taxas de aprovação crescentes. Em 2025, o tribunal chegou a reconhecer status automático de refugiado para todos os oriundos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, além de proteção automática para mulheres provenientes do Irã e da Somália, e para homossexuais de países como Egito e Guatemala.
O cenário contrasta fortemente com o discurso político do presidente Emmanuel Macron, que repetidamente prometeu reduzir a imigração. A taxa de deportação de imigrantes em situação irregular permanece em torno de 15%, muito abaixo da meta de 100% anunciada pelo governo. O país também bateu recordes consecutivos de imigração em geral: em 2024, cerca de 400 mil migrantes chegaram ao país, elevando o total de estrangeiros residentes a 6 milhões. Em 2025, um número recorde de 384 mil primeiras autorizações de residência foi concedido.
A opinião pública francesa segue em direção oposta à das políticas implementadas. Pesquisas indicam que 61% dos franceses desejam que o direito de asilo seja restringido no país, e uma maioria expressiva apoia a redução geral da imigração, incluindo a legal. Analistas e grupos políticos de oposição pedem a renegociação de convenções internacionais e até alterações constitucionais, argumentando que tanto a eficiência do Estado quanto a identidade nacional francesa estão sendo colocadas em risco pela trajetória atual.

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