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Goldman Sachs: IA vai puxar quase metade do crescimento de lucros das maiores empresas dos EUA em 2026


O banco Goldman Sachs estimou que os gastos com infraestrutura de inteligência artificial responderão por aproximadamente 40% de todo o crescimento de lucros das empresas que compõem o S&P 500 ao longo de 2026. O dado foi corroborado pelo estrategista do Morgan Stanley, Michael Wilson, cujos números mostram que o crescimento de lucros projetado para os próximos 12 meses do índice está se acelerando para máximas de vários anos.

O peso do setor de tecnologia sobre os resultados do índice é expressivo. Analistas projetam que o segmento de tecnologia da informação crescerá seus lucros em 44% no primeiro trimestre de 2026, respondendo por 87% de todo o crescimento de resultados do S&P 500 no período. Os números reforçam a concentração do crescimento corporativo americano nas empresas ligadas ao ciclo de IA.

Apesar do protagonismo nos lucros, o setor passou por uma compressão significativa de valuations. O estrategista-chefe do Goldman Sachs, Peter Oppenheimer, destacou em nota publicada nesta semana que o setor de tecnologia acabou de atravessar um dos piores períodos de desempenho relativo frente ao restante do mercado global desde o início dos anos 1970 — e que o segmento agora negocia a múltiplos abaixo dos de consumo discricionário, consumo básico e industrial.

A desconcentração também se manifesta dentro do grupo das maiores empresas de tecnologia. A correlação de movimentos entre os principais provedores de infraestrutura de IA — Amazon, Google, Meta, Microsoft e Oracle — caiu acentuadamente nos últimos três meses, com crescente dispersão entre os nomes dominantes. O movimento indica que o mercado passou a exigir diferenciação entre os ativos, encerrando a fase em que as ações se moviam em bloco.

Em termos de valuation relativo, o grupo das chamadas Magnificent Seven apresenta dados que chamam a atenção dos estrategistas. As ações negociam a cerca de 24 vezes o lucro projetado — praticamente o mesmo múltiplo do setor de consumo básico, que está em 22 vezes —, mas com mais de três vezes o crescimento de lucros prospectivo desse setor defensivo. Para Wilson, do Morgan Stanley, o múltiplo geral do S&P 500 já recuou 18% em relação ao pico dos últimos seis meses, um nível raramente superado fora de contextos de recessão ou aperto agressivo do Fed.

O Goldman Sachs aponta que a relação entre preço e crescimento de lucros do setor tecnológico atingiu um nível historicamente baixo — patamar observado pela última vez no fundo do ciclo pós-bolha das empresas de internet, entre 2003 e 2005. Para Oppenheimer, a combinação de lucros recordes com valuations comprimidos representa uma das janelas de entrada mais atrativas para o setor em mais de uma década.

Desde quando escrevemos o artigo sobre a Power Solutions International (infraeestrutura de IA), no começo desse mês, a ação subiu 28%.


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