Um incêndio na lavanderia principal do porta-aviões USS Gerald R. Ford, o mais moderno e caro da frota americana, chamou atenção para as escolhas tecnológicas da Marinha dos Estados Unidos. O fogo, iniciado em 12 de março de 2026 durante operações no Mar Vermelho, se estendeu por mais de 30 horas, gerando fumaça que afetou áreas de alojamento e deslocou centenas de marinheiros. Dois tripulantes sofreram ferimentos leves, mas a Marinha garantiu que o navio permaneceu plenamente capaz de cumprir sua missão. O incidente obrigou o Ford a rumar para Creta, na Grécia, para reparos, destacando como um problema aparentemente simples pode impactar uma embarcação de US$ 13 bilhões.
Desde o início da década de 2010, a Marinha vem adotando sistemas de lavanderia baseados em ozônio, que substituem o vapor tradicional por tecnologia que opera com água fria e gás ozônio para limpeza. Esses equipamentos prometem reduzir o consumo de água em até 30% e eliminar a necessidade de aquecimento intenso, alinhando-se a objetivos de sustentabilidade ambiental. O USS Gerald R. Ford, primeira unidade da classe Ford, incorporou esse padrão desde o projeto, diferentemente dos porta-aviões mais antigos que utilizavam vapor residual dos motores.
Especialistas e documentos internos da Marinha de 2012 destacavam os benefícios “verdes” desses sistemas, descrevendo-os como vantajosos para o marinheiro, o navio e o planeta. No entanto, críticos apontam que, em porta-aviões movidos a energia nuclear, o ozônio exige eletricidade constante dos geradores — em vez de aproveitar vapor “gratuito” —, o que pode elevar custos operacionais e de manutenção. Além disso, o ambiente mais seco favorece o acúmulo de fiapos inflamáveis, embora a Marinha não tenha atribuído o incêndio de março diretamente a esse fator.
O episódio ocorre em meio a uma série de desafios enfrentados pelo Ford, que já lidou com problemas em elevadores de aeronaves, banheiros a vácuo e sobrecarga operacional. Enquanto defensores da iniciativa verde argumentam que as economias de água e energia contribuem para a eficiência de longo prazo da frota, vozes mais céticas questionam se o foco em tecnologias “sustentáveis” não compromete a robustez necessária em ambientes de combate de alta intensidade.
A Marinha investiga as causas exatas do incêndio e avalia o impacto nos cronogramas de manutenção. O caso reforça o debate sobre o equilíbrio entre inovação ambiental e prontidão militar, especialmente quando se trata de sistemas que, embora modernos, precisam provar sua confiabilidade em condições reais de operação prolongada.
