"Jamais voltará ao que era" diz Irã sobre o Estreito de Hormuz
A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) desafiou abertamente os Estados Unidos ao declarar que o Estreito de Ormuz "jamais voltará a ser como era, especialmente para os EUA e Israel". Em comunicado divulgado no domingo (5), a força militar iraniana afirmou estar concluindo os preparativos operacionais para a nova ordem do Golfo Pérsico, sinalizando a intenção de impor regras permanentes sobre a principal via marítima de escoamento de energia do planeta.
O contexto imediato da declaração é o ultimato lançado pelo presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou atacar infraestruturas iranianas caso o Estreito não fosse reaberto até esta terça-feira (7). Trump afirmou que o Irã não teria nenhuma central elétrica e nenhuma ponte de pé caso não cedesse. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei Hamaneh, garantiu que qualquer ataque às infraestruturas do país seria respondido na mesma proporção.
O Estreito de Ormuz permanece fechado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel iniciaram bombardeamentos contra o território iraniano. Apenas quinze navios atravessaram a via nas últimas 24 horas, todos com autorização expressa de Teerã, e o tráfego marítimo no local está 90% abaixo do registrado antes da guerra. O estreito é responsável pelo trânsito de cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
No plano interno, o Irã confirmou a morte do brigadeiro-general Seyed Majid Khademi, chefe da inteligência da IRGC, em um ataque aéreo israelense em Teerã. Paralelamente, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um projeto de lei para cobrar taxas de trânsito em moeda nacional de navios que cruzem o Estreito, além de prever a proibição total de passagem para embarcações dos EUA e de Israel. As novas regras deverão ser definidas em parceria com o Omã, excluindo qualquer interferência de potências externas ao Golfo Pérsico.

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