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Lula chama endividamento de 'vício' do brasileiro — mas governo acumula dívidas bilionárias

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o endividamento é um "vício" do brasileiro, responsabilizando a população pelo próprio aperto financeiro e ignorando o peso da carga tributária sobre o orçamento das famílias. A declaração, foi recebida com indignação por especialistas em finanças públicas e pela oposição, que apontaram a ironia de um chefe de Estado fazer tal discurso enquanto o governo federal acumula déficits bilionários e expande os gastos públicos em ritmo acelerado.

A contradição não passou despercebida. O governo Lula encerrou 2023 com um rombo fiscal superior a R$ 230 bilhões e projeta novos déficits para os próximos anos, mesmo após aprovação de um arcabouço fiscal que prometia conter as despesas. Enquanto o presidente aponta o dedo para o cidadão comum, o Tesouro Nacional segue emitindo dívida pública a níveis recordes. Economistas lembram ainda que a carga tributária brasileira — uma das mais altas do mundo em desenvolvimento — retira parcela significativa da renda do trabalhador antes mesmo que ele possa poupar ou quitar suas contas.

Para críticos, o discurso revela uma postura de duplo padrão difícil de sustentar. "É como um fumante inveterado dando palestra sobre os malefícios do cigarro", ironizou um analista político. A população, espremida entre juros estratosféricos — com a Selic entre as mais altas do planeta —, inflação persistente nos alimentos e uma carga de impostos que encarece tudo do combustível à cesta básica, enfrenta um cenário estruturalmente desfavorável à saúde financeira. Nesse contexto, atribuir o endividamento das famílias a um simples "vício" soa, para muitos, como uma inversão conveniente de responsabilidades.

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