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Mercados precificam guerra: Polymarket vê apenas 29% de chance de cessar-fogo EUA-Irã até o fim do mês


A plataforma de mercados de previsão Polymarket atribui apenas 29% de probabilidade a um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã antes do fim de abril — sinal de que o mercado financeiro segue cético quanto a uma resolução diplomática rápida. O presidente Donald Trump intensificou suas ameaças enquanto Teerã rejeitou a mais recente proposta de cessar-fogo, deixando os investidores globais em estado de alerta máximo. Paquistão, Egito e Turquia pressionam por um acordo provisório de 45 dias para evitar novos ataques americanos à infraestrutura energética iraniana, mas as chances de êxito seguem estreitas.

Os mercados financeiros já sentem o peso da incerteza. O S&P 500 reduziu seus ganhos e o petróleo superou US$ 113 por barril após Trump sinalizar um possível ataque ainda nesta semana, apagando o otimismo diplomático de horas antes. O J.P. Morgan traçou um cenário ainda mais sombrio: o banco alerta que o Brent pode disparar na direção de US$ 150 por barril caso o Estreito de Ormuz permaneça efetivamente fechado até meados de maio, o que configuraria o maior choque de oferta de petróleo da história moderna. Analistas da instituição projetam que o fechamento do Estreito — por onde passa 20% do volume global de petróleo — pode resultar em cortes de produção regional de até 12 milhões de barris por dia caso a situação persista.

As implicações macroeconômicas são graves. Em um cenário de risco moderado, com o Brent se mantendo elevado até meados do ano, o J.P. Morgan estima que o crescimento global do PIB pode ser reduzido em 0,6% ao ano no primeiro semestre, enquanto o CPI global pode subir mais de 1%, reacendendo temores de estagflação. Mercados emergentes chegaram a reagir positivamente a relatos sobre mediações para um cessar-fogo — o índice MSCI de emergentes avançou 0,7% enquanto as moedas do bloco subiram 0,3% — revelando o quanto qualquer sinal diplomático move os ativos globais. O West Texas Intermediate oscilou em uma faixa de US$ 6,60 em um único pregão antes de fechar em alta de 0,8%, acima de US$ 112 por barril, segundo a Bloomberg.

Com o prazo imposto por Trump expirando nesta terça-feira, o custo da inação é alto para todos os lados. Mediadores alertaram Teerã de que as próximas 48 horas representam a última janela para um acordo antes de uma escalada devastadora, mas o Irã mantém postura intransigente em público. Para os mercados, o baixo percentual da Polymarket reflete não apenas ceticismo diplomático, mas também a precificação de um risco sistêmico crescente: o conflito "gera maior risco macroeconômico do que conflitos militares recentes" e tende a ter "consequências políticas e econômicas duradouras em nível regional", segundo Joseph Lupton, co-chefe de Pesquisa Econômica do J.P. Morgan.

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