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O fim da era do Japão: Coreia do Sul assume a liderança em chips e celulares

 

Seul

A Coreia do Sul acaba de registrar um marco histórico: US$ 86 bilhões em exportações no último ano, o maior valor já alcançado pelo país. Esse recorde não é apenas um número, mas o símbolo concreto de uma reviravolta econômica na Ásia. Enquanto o Japão, outrora rei absoluto da tecnologia, vê sua influência encolher, empresas como Samsung e SK Hynix transformam chips de memória e smartphones em motores de crescimento. O que antes era domínio japonês em eletrônicos agora é território coreano.

Por décadas, o Japão ditou o ritmo da inovação mundial com gigantes como Sony, Toshiba e Panasonic. Seus produtos dominavam lares e fábricas em todo o planeta. Hoje, porém, a Coreia do Sul lidera o mercado global de semicondutores de memória (DRAM e NAND), áreas onde o Japão perdeu terreno para a velocidade de investimento e escala coreana. Os chips sul-coreanos estão dentro de praticamente todos os dispositivos inteligentes do mundo, enquanto o Japão luta para reconquistar fatias que já foram suas.

No segmento de celulares, a transformação é ainda mais visível. A Samsung não apenas sobreviveu, mas se consolidou como uma das maiores fabricantes de smartphones do planeta, com tecnologia OLED e processadores que rivalizam os melhores. O Japão, que já teve marcas icônicas como NEC e Fujitsu no setor móvel, praticamente desapareceu desse mapa. Enquanto Tóquio enfrenta envelhecimento populacional e estagnação, Seul investe pesado em P&D e conquista mercados emergentes com produtos mais ágeis e competitivos.

Essa mudança não é passageira. Ela reflete um novo equilíbrio de poder na Ásia Oriental, onde a Coreia do Sul combina inovação rápida, cadeias de suprimentos eficientes e foco estratégico em tecnologia de ponta. O recorde de exportações de US$ 86 bilhões é prova de que o “milagre coreano” não parou — ele apenas migrou para os chips e celulares, setores que definem a economia digital do século XXI.

O Japão ainda brilha em automóveis e robótica, mas a era em que liderava sozinho a revolução eletrônica chegou ao fim. A Coreia do Sul não apenas ganhou a corrida: está reescrevendo as regras do jogo, com seu PIB per capita superando o do Japão em 2025 — segundo projeções do FMI, cerca de US$ 37,5 mil contra US$ 36,4 mil —, refletindo não só superioridade tecnológica, mas também maior prosperidade para sua população. E o mundo já sente os efeitos dessa nova ordem tecnológica.

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