Os primeiros a apagar as luzes: quais países ficarão sem energia na crise do Estreito de Ormuz
A guerra entre EUA, Israel e Irã desencadeou a maior crise energética do mundo moderno, e a Ásia está no epicentro do colapso. Dados de rastreamento de navios indicam que 16 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados deixaram de fluir pelo Estreito de Ormuz — uma queda de 80% em relação à média de 2025. Entre os países mais vulneráveis, a Coreia do Sul lidera o ranking de risco: suas importações líquidas de petróleo equivalem a 2,7% do PIB, e analistas da Nomura a apontam como uma das economias mais expostas. Com uma queda de 56% no fornecimento e apenas 27 dias de reserva de petróleo bruto, Seul pode ser a primeira grande economia a entrar em colapso energético.
Taiwan vem logo atrás, numa posição ainda mais frágil em termos de gás natural. A ilha depende de importações para atender a 95% de suas necessidades energéticas e possui apenas 11 dias de reservas de gás natural estocadas. A situação é agravada pelo peso da indústria de semicondutores: a TSMC sozinha responde por quase 10% do consumo de eletricidade do país, e qualquer racionamento energético colocaria em risco a cadeia global de chips. A Índia, terceira na fila, já enfrenta tensão crescente: protestos nacionais sobre preços de combustíveis estão voltando às ruas, numa repetição de um padrão histórico de conflitos sociais ligados à energia, com a crise sendo crítica a partir da sexta semana de bloqueio.
O Japão, por sua vez, apresenta uma resiliência notável. Com estoques de petróleo bruto suficientes para quase 144 dias de operação, Tóquio compra tempo enquanto Seul e Taipé correm contra o relógio. Mas há um elo frágil que poucos estão observando: a Austrália. O país exporta GNL para a Ásia e, ao mesmo tempo, importa 90% do próprio combustível processado de refinarias localizadas em Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan — exatamente os países que estão entrando em colapso. Com apenas 29 a 36 dias de reservas, Camberra é o dominó que ninguém está monitorando.
Mesmo que a guerra termine em breve, levará tempo para que os produtores do Golfo retomem os níveis de produção anteriores ao conflito. O cenário que se desenha é de um efeito dominó: cada país que perde fornecimento pressiona ainda mais os vizinhos que ainda resistem. Os preços do petróleo bruto já subiram cerca de 19% em 2026, e analistas alertam que o pior ainda está por vir caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongue pelos meses de verão, quando a demanda por eletricidade na Ásia atinge seu pico histórico.

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