De acordo com o boletim mais recente da NOAA (9 de abril de 2026), o Pacífico Equatorial está em transição da neutralidade para o El Niño. A probabilidade de o fenômeno se formar entre maio e julho chega a 61%, com manutenção até o fim do ano. Modelos internacionais como o ECMWF e o NMME apontam anomalias de temperatura da superfície do mar acima de +2°C, o que configura um evento “Super El Niño” – categoria rara que inclui os episódios de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
Especialistas avaliam que o El Niño 2026 tem potencial para ser o mais forte da história moderna. O modelo europeu ECMWF indica que metade dos cenários simulados superam o limiar de +2,5°C no índice Niño-3.4 ainda no segundo semestre, algo inédito desde o início das medições. A combinação com o aquecimento global pode elevar as temperaturas mundiais a novos recordes em 2026 ou 2027. A NOAA calcula em 25% a chance de um evento “muito forte”.
No Brasil, o fenômeno deve produzir efeitos opostos entre as regiões. No Norte e Nordeste, a previsão é de chuvas abaixo da média, agravando o risco de seca, incêndios florestais na Amazônia e redução dos níveis dos rios. Já no Sul e parte do Sudeste, o El Niño favorece precipitações mais intensas, com alerta para enchentes e deslizamentos, especialmente no Rio Grande do Sul – região que ainda se recupera de eventos extremos anteriores.
Temperaturas acima da média devem dominar grande parte do país durante o inverno e a primavera de 2026, com invernos menos rigorosos no Centro-Sul. A Ampere Consultoria e a Climatempo destacam que o calor extra, somado ao El Niño, pode pressionar o consumo de energia e reduzir a geração hidrelétrica, elevando o risco de bandeiras tarifárias mais caras.
Agricultores e autoridades já monitoram os impactos na safra. Seca no Norte pode comprometer a produção de grãos e pecuária, enquanto o excesso de chuva no Sul ameaça lavouras de soja, milho e arroz. Especialistas da INMET e do INPE recomendam planejamento antecipado para mitigar perdas e reforçar a vigilância contra doenças transmitidas por vetores, favorecidas pelo calor e pela umidade irregular.
Embora as previsões sejam consistentes, a intensidade final ainda depende da persistência de ventos anômalos no Pacífico. O El Niño deve atingir o pico entre o final de 2026 e o início de 2027, período em que seus efeitos no clima brasileiro serão mais pronunciados. Órgãos como INMET e CPTEC atualizarão os boletins mensalmente para ajustar as orientações às regiões afetadas.
Fontes:
National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) – Climate Prediction Center, boletim de 9 de abril de 2026.
European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF).
North American Multi-Model Ensemble (NMME).
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Climatempo Meteorologia.
Ampere Consultoria.
CPTEC/INPE – atualizações climáticas 2026.
