O presidente Donald Trump anunciou no domingo que a Marinha dos Estados Unidos iniciaria um bloqueio naval no Estreito de Ormuz após o colapso de negociações de paz com o Irã em Islamabad, no Paquistão. A medida, publicada no Truth Social, determina que a Marinha "busque e intercepte todo navio em águas internacionais que tenha pago pedágio ao Irã", além de iniciar a destruição de minas instaladas pelo país no estreito. Na prática, o bloqueio é mais restrito do que o anunciado: o CENTCOM confirmou que a operação se aplica apenas a embarcações entrando ou saindo de portos iranianos, sem afetar navios transitando entre portos de terceiros países.
Os primeiros efeitos foram imediatos. O tanker Rich Starry, de 188 metros, que havia partido do ancoradouro de Sharjah carregado e com destino declarado à China, transmitiu status de "deriva" próximo à ilha iraniana de Qeshm minutos após o bloqueio entrar em vigor — paralisando efetivamente sua travessia pelo canal. Um segundo navio, o tanker Ostria, registrado em Botsuana, reverteu o curso 41 minutos após o prazo imposto por Trump, alterando seu destino declarado de Omã para os Emirados Árabes Unidos. Os dois casos foram identificados por dados de rastreamento de embarcações compilados pela Kpler e pela Marine Traffic.
Nem todos recuaram. Ao menos três tankers tentaram cruzar o estreito navegando rente à costa iraniana, seguindo uma rota ao sul da ilha de Larak que o próprio Irã havia indicado para trânsito seguro. Entre eles, o Elpis — sancionado pelos EUA em 2025 por envolvimento no transporte de petróleo iraniano — aparentemente completou a travessia, segundo dados da Kpler.
A China, maior compradora do petróleo iraniano, reagiu com cautela mas firmemente. O chanceler Wang Yi afirmou que bloquear o Estreito de Ormuz "não serve aos interesses comuns da comunidade internacional" e defendeu que "uma solução política e diplomática é o caminho fundamental a seguir". Circulam relatos não confirmados de advertências mais duras de Pequim ao governo americano, mas nenhuma declaração oficial nesse sentido foi verificada até o momento.
Analistas alertam para os riscos da operação. O almirante aposentado James Stavridis estima que o bloqueio exigirá pelo menos dois grupos de ataque de porta-aviões e dezenas de navios de guerra dentro e fora do Golfo Pérsico — operação que ele descreve como "uma grande tarefa e uma grande aposta". O mercado reagiu com o barril de petróleo voltando a superar US$ 100. Apesar de Trump sugerir apoio britânico com varredores de minas, o governo do Reino Unido negou participação no bloqueio, afirmando trabalhar com França e mais de 40 nações numa coalizão separada voltada à liberdade de navegação.
As negociações entre Washington e Teerã permanecem abertas segundo fontes americanas, embora em terreno cada vez mais instável. O vice-presidente JD Vance afirmou após o fracasso das conversas em Islamabad que "a diplomacia não acabou", deixando em aberto a possibilidade de novos entendimentos antes que a situação no estreito se agrave.
Two tankers turn away from Strait of Hormuz after US blockade begins
— MarineTraffic (@MarineTraffic) April 13, 2026
At least two tankers reversed course near the Strait of Hormuz shortly after the start of the US blockade, highlighting the immediate impact on vessel movements. According to #MarineTraffic data, the 188-metre… pic.twitter.com/dRNi7yEgJI
https://www.cnn.com/2026/04/13/world/live-news/iran-us-war-trump-hormuz
https://www.cbsnews.com/news/trump-strait-of-hormuz-blockade-iran/
https://www.cnbc.com/2026/04/12/trump-iran-war-strait-of-hormuz.html
https://time.com/article/2026/04/12/trump-blockade-strait-of-hormuz-iran/
