Uruguai atrai US$ 200 milhões em exploração de petróleo offshore

 Em menos de 18 meses, o país passou de ausente no radar do mercado global de petróleo a ter 100% de suas águas territoriais licenciadas por grandes empresas internacionais.


A ANCAP, estatal uruguaia de energia, concedeu sete contratos de exploração e eventual produção de hidrocarbonetos em toda a plataforma continental do país, cobrindo 120.000 km² de águas offshore. Os acordos geraram mais de US$ 200 milhões em investimentos comprometidos pelas empresas contratantes — sem que o governo uruguaio tenha desembolsado recursos.

Em junho de 2024, quatro contratos de aquisição sísmica 3D multicliente foram assinados com empresas especializadas — Searcher, PGS, VIRIDIEN e TGS — inteiramente a custo e risco dessas companhias. A ANCAP retém a propriedade dos dados gerados e recebe uma porcentagem dos lucros com a venda de licenças de acesso.

Empresas com contratos ativos:

Shell (Reino Unido)APA Corporation (EUA)Chevron (EUA)YPF (Argentina)Challenger EnergyPGSTGS / Spectrum
A motivação para o interesse internacional veio das descobertas offshore na Namíbia a partir de 2022. As bacias sedimentares da costa uruguaia são geologicamente análogas às da margem africana — ambas faziam parte do mesmo bloco continental antes da deriva que separou a Pangeia. A ANCAP estima entre 3% e 23% a probabilidade de encontrar petróleo ou gás comercialmente viável. 

A aquisição de dados sísmicos teve início em 2025. As primeiras perfurações exploratórias estão previstas para 2026, dentro do período inicial de quatro anos estabelecido nos contratos. Atualmente, o Uruguai importa 97,6% do petróleo que consome, gastando mais de US$ 1 bilhão por ano em importações de petróleo bruto.

Fontes: ANCAP, U.S. Department of Commerce e Offshore Energy

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