Pular para o conteúdo principal

Anthropic surpreende ao exigir documento de identidade para usar o Claude — e a reação não foi positiva

EUA anunciam bloqueio naval no Estreito de Ormuz após fracasso das negociações com Irã

 


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo que a Marinha americana bloqueará imediatamente toda a navegação no Estreito de Ormuz, após o colapso das negociações de paz com o Irã realizadas em Islamabade, no Paquistão. Em post no Truth Social, Trump declarou que os EUA impedirão a passagem de qualquer navio pelo estreito, acusando o Irã de extorsão internacional. O anúncio representa a maior escalada do conflito desde seu início, em 28 de fevereiro.

As negociações, que duraram cerca de 21 horas, terminaram sem acordo. O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação americana, disse que o Irã rejeitou "nossa oferta final e melhor", enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, culpou Washington pelo fracasso, afirmando que os EUA não souberam conquistar a confiança da delegação iraniana. O principal ponto de discórdia foi o programa nuclear: os americanos exigem que o Irã abra mão do enriquecimento de urânio, o que Teerã recusou categoricamente.

Trump ordenou ainda que a Marinha intercepte qualquer navio em águas internacionais que tenha pago pedágio ao Irã para atravessar o estreito, e anunciou o início da destruição das minas colocadas pelo país na região. Dois contratorpedeiros americanos já haviam iniciado operações de limpeza de minas no sábado, segundo o Comando Central dos EUA. O presidente ameaçou retomar os ataques militares, afirmando que as forças americanas estão "armadas e prontas".

O chefe da petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber, uma das vozes mais influentes do mercado global de energia, reagiu com dureza. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o Estreito de Ormuz "não está aberto" e que o acesso está sendo "restringido, condicionado e controlado" pelo Irã — o que classificou como coerção ilegal. Al Jaber destacou que o estreito é regido pela Convenção da ONU sobre o Direito do Mar e que o livre trânsito é um direito garantido, não um privilégio a ser concedido por qualquer Estado.

Desde o início do conflito, o tráfego pelo estreito — por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo mundial — despencou para menos de 10% do volume habitual. Mais de 600 navios permanecem retidos na região do Golfo Pérsico, e especialistas estimam que, mesmo com a normalização imediata do tráfego, levaria mais de dez dias para escoar todas as embarcações encalhadas. Os preços do petróleo Brent já acumulam alta expressiva desde o início da crise.

Com o bloqueio mútuo — iraniano de um lado, americano de outro —, o mercado global de energia busca alternativas urgentes. Dados de rastreamento de navios indicam que os EUA emergem como principal fornecedor alternativo, consolidando uma posição inédita de "posto de gasolina de último recurso" do mundo. A Casa Branca afirma que os mercados futuros já antecipam queda nos preços de energia assim que o estreito voltar a operar normalmente, mas analistas alertam que o caminho para uma solução diplomática nunca pareceu tão distante.

Comentários

Mais populares da semana

Moraes investiga Flávio Bolsonaro: o que diz a Constituição sobre imunidade parlamentar?

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, abriu inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por declarações que ligam o presidente Lula a crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraude eleitoral. A medida provocou forte reação no Congresso e entre juristas, que apontam violação direta à imunidade parlamentar prevista na Constituição Federal de 1988. O Artigo 53 da Constituição é claro e sem ambiguidades: “Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. A palavra “quaisquer” abrange todas as manifestações, sem exceções ou condicionantes, exatamente para proteger o livre exercício do mandato parlamentar. Essa imunidade não é privilégio pessoal, mas garantia institucional do regime democrático. Ela permite que senadores e deputados debatem temas nacionais sem medo de retaliação judicial, inclusive fora do plenário, desde que no exercício da função. Diante da literalidade do texto constitucional, a abertur...

Xbox Series S vs Nintendo Switch 1/OLED: Qual é o verdadeiro rei do custo-benefício no Brasil hoje?

  O Xbox Series S está saindo por R$ 2.516 a R$ 3.131 (novo no Mercado Livre e Amazon), enquanto o Switch OLED em bundle com Super Mario Bros. Wonder + 3 meses de Nintendo Switch Online cai fácil para R$ 2.049 na Vivo ou R$ 2.490 com Mario Kart no Amazon. Já o Switch 1 (o modelo original de 2017) aparece em promoções ainda mais baixas, na casa dos R$ 2.000 com jogo incluso. No bolso brasileiro, os dois consoles brigam cabeça a cabeça no preço de entrada – mas o Switch (1 ou OLED) costuma vencer por entregar bundle pronto pra jogar na hora. No hardware o Series S massacra: 1440p/120fps, SSD rápido, Game Pass com centenas de AAA (Forza, Starfield, Call of Duty) e futuro-proof pra 2026. O Switch 1 roda em 1080p dock/720p handheld e o OLED melhora a tela com cores vibrantes e pretos profundos – mas gráficos de 2017. A diferença? O Switch é portátil de verdade: você joga no sofá, no ônibus ou na cama. Series S é só TV. Se você quer Mario, Pokémon Scarlet/Violet, Zelda Tears of the Kingd...

IAs colocadas em simulações de crise nuclear escalaram para conflito atômico em 95% dos jogos, aponta estudo do King's College London

  Um estudo publicado em fevereiro de 2026 pelo professor Kenneth Payne, do King's College London, submeteu três dos modelos de inteligência artificial mais avançados do mundo — GPT-5.2, Claude Sonnet 4 e Gemini 3 Flash — a uma série de 21 simulações de crise nuclear. Ao longo de 329 turnos, os modelos geraram aproximadamente 780 mil palavras de raciocínio estruturado — mais do que a soma de Guerra e Paz e A Ilíada. O projeto, publicado como pré-print no arXiv e ainda sem revisão por pares, é chamado de "Projeto Kahn", em referência a Herman Kahn, o estrategista da Guerra Fria que formulou a teoria da escada de escalada nuclear. Todos os 21 jogos apresentaram sinalização nuclear por pelo menos um lado, e 95% envolveram uso de armas nucleares táticas. É importante distinguir: a guerra nuclear estratégica total foi rara, ocorrendo apenas três vezes, nos jogos com pressão de prazo. Um dado que unifica todos os modelos: em nenhum dos 21 jogos qualquer IA escolheu rendição ou ...